quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Moção de apoio à realização do IFCHSTOCK.

A Associação Atlética Acadêmica XIX de Novembro – Gestão Mané Garrincha – ainda que não esteja envolvida na organização do IFCHSTOCK, apóia integralmente a realização deste, bem como a não-perseguição aos envolvidos, pelos motivos, a saber:

Nossa mui estimada REItoria, pressionada pela pouco representativa AMOC[1] e também por suas próprias convicções errôneas do que é uma Universidade, se encontra num novo(?) e imbuído momento de perseguição e tentativa de cerceamento das atividades culturais e sociais dos estudantes da querida Unicamp.

Além de tais atividades já serem de extrema importância ao considerarmos somente a questão da sociabilização e da utilização do espaço público, elas o são, também, em outros aspectos. Esses eventos, muitas vezes, são a única forma de financiar atividades dentro e fora[2] da Universidade, como por exemplo, a compra de materiais para realização de um torneio esportivo – coisa que deveria ser garantida pela Reitoria e pelo poder público – assim como o financiamento de movimentos sociais, por exemplo o MST – lembremos ainda, que a reforma agrária é prevista na constituição “cidadã” de 88 e deveria ser garantida pelo poder público.

O esvaziamento do espaço universitário, e obviamente do espaço público como um todo, gera, visivelmente, uma maior exposição a roubos e outros crimes. Os próprios trabalhadores da empresa terceirizada que cuidam do patrimônio da Unicamp já alegaram, por muitas vezes e durante anos, haver uma maior tranqüilidade para trabalhar em noites em que há ocupação dos espaços.

Acreditamos também, que medidas de impedimento dessas atividades trazem consigo um viés de enfraquecer o Movimento Estudantil, indo no sentindo de transformar cada vez mais a Universidade somente em um espaço de formação de trabalhadores e pesquisas voltados aos interesses de instituições privadas. O que nos traz – e já debate com – um dos argumentos da REItoria, que alega que os estudantes usam o espaço público para gerar lucro[3]...Fernando! Fernando!? Fer-nan-do! Fernandinho, puta que pariu, existem bancos e empresas atuando dentro da Unicamp!

Achamos sim, que o diálogo entre estudantes, reitoria e AMOC tem de evoluir no sentido de resolver esse impasse de forma satisfatória a todos – por exemplo, ocorrendo uma liberação total e irrestrita a eventos com volume de som que não extrapolem os limites da Universidade, e a liberação de datas para grandes eventos, com avisos prévios, de forma que os moradores da Cidade UNIVERSITÁRIA possam se programar.

Entretanto, antes desse diálogo se concluir, apoiamos formalmente a realização do IFCHSTOCK, principalmente pelos motivos explanados acima, e sobretudo pelo amor, já que AMOR, meus queridos e minhas queridas, é melhor que AMOC.

A.A.A XIX de Novembro

Gestão Mane Garrincha



[1] - Associação de Moradores da Cidade Universitária – na qual somente proprietários podem participar, e que exclui estudantes que MORAM efetivamente aqui, se utilizando, ainda, do lamentável argumento de propriedade, e convenhamos, toda propriedade é um roubo, e há SIM quem acredite nisso.

[2] - Lembrando que um dos grandes problemas da Universidade/Academia é dialogar e relacionar-se com a sociedade – vide a famosa Bolha em que vivemos.

[3] - Aí sim! Fomos surpreendidos novamente!

CACH EM APOIO AO IFCHSTOCK E A LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO DE ATIVIDADES POLÍTICO-CULTURAIS NO CAMPUS!!!

A política da reitoria de restrição ao espaço público não vem de hoje. Em 2002 todo o campus foi cercado impedindo a livre circulação da população pela universidade. A venda de cerveja foi proibida em 2004 – mas não se enganem, nas confraternizações realizadas pelas diretorias de instituto e pela reitoria o consumo de álcool é permitido. A colocação de câmeras e catracas foi mais um passo neste sentido. E agora, vem sendo cada vez mais recorrente a exigência de depoimentos e abertura de sindicâncias contra os estudantes que se organizam.

Ao longo dos anos, estas mudanças que cerceiam nossa liberdade e democracia começam a ser vistas com naturalidade, como se as cercas e as câmeras sempre estivessem lá. Não podemos permitir que o lugar dos debates, assembléias, festivais, arte e festa seja tomado por bancos e salas de empresas privadas. Não podemos nos adaptar a essa transformação do espaço de livre criação e debate político da universidade em um modelo mercantilizado, de passagem dos estudantes das suas casas para a sala de aula.

A restrição do espaço público e da auto-organização dos estudantes está a serviço de um modelo de universidade voltada para os interesses do capital, seja via incentivo às pesquisas de empresas, as Parceria-Público-Privada, o desmonte do tripé pesquisa-ensino-extensão e da universidade pública.

Por isso, a realização do IFCHSTOCK dentro do campus não é apenas um festival de bandas e apresentações, mas também uma atividade que resgata o espírito de uma universidade de fato pública e democrática.

Nós, do CACH, manifestamos nosso incondicional a apoio organizativo e político ao IFCHSTOCK e queremos frisar que é fundamental nos mantermos organizados para resistir a qualquer ataque e punição ao nosso evento-ato.

CACH – CENTRO ACADÊMICO DE CIENCIAS HUMANAS

GESTÃO 2009 – OBORÉ: UM CHAMADO A LUTA

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

EM BUSCA DOS ESPAÇOS PERDIDOS

Em busca da vivência universitária, chamamos a todos os Centros Acadêmicos e o Diretório Central dos Estudantes a agir e discutir a autonomia da universidade e a ocupação dos espaços públicos.

A política de segurança da universidade está se transformando em restrição do acesso ao espaço público e em repressão dos movimentos sociais, políticos e artísticos em nome de uma “tal” preservação do patrimônio público. Não só a proibição de festas, mas o impedimento de eventos como o Festival do Instituto de Artes, BioArt, IFCHSTOCK e outras ações dos estudantes universitários estão sendo marginalizadas, privando-nos do direito básico de nos reunirmos!

Buscamos, com esse manifesto, construir uma resposta política e coletiva contra um processo de isolamentos locais que está assolando o universo estudantil. O campus vem se tornando lugar de passagem e produção, onde os espaços comuns já não existem para a própria comunidade acadêmica, muito menos para a comunidade ao redor. A necessidade de espaços de socialização e de dar movimento a essa inércia produtivista está dada! Deve-se assim, privilegiar a comunicação dos Institutos e diálogo dos estudantes com a comunidade.

Essa é a antiga fazenda do Barão Geraldo, que hoje se vê tomada por luxuosas casas - boas famílias usufruindo de todas as boas condições oferecidas pela vida universitária - que mais se assemelham à clausura do que à liberdade do Campus. A política da má vizinhança está instalada. Nossos vizinhos, a Associação de Moradores da Cidade Universitária – AMOC -, nos reprimem através de tramites (i)legais, chegando a nos ameaçar com multas e apelando à força violenta policial, o que legitima o aprofundamento desse processo.

Nessa lógica, a utilização dos espaços privados para a celebração universitária vem aumentando. A universidade é nosso espaço e de toda população ao redor dela, portando devemos usufruí-lo e ocupá-lo!

Diante disso, estamos próximos a presenciar um dos maiores eventos da UNICAMP, o IFCHSTOCK, que, logicamente, é muito ameaçador à situação que nos está imposta. Conclamamos os Centros Acadêmicos a se solidarizarem jurídica, política, econômica, socialmente e a sustentar a manutenção não só do IFCHSTOCK, mas desse tipo de atividade do campus.

COLETIVO IFCHSTOCK

Primeiro post do Blog

Olá a todos,

A idéia deste blog é poder divulgar, principalmente, a parte política e de debate do IFCHSTOCK. Para isso postaremos os textos do Coletivo IFCHSTOCK - que organizou a quarta edição - assim como textos de apoio escritos por outras instituições estudantis da Unicamp.

Se o futuro nos brindar com mais edições da querida festa, aqui poderá ser também um espaço de debate e divulgação.

Beijos e abraços.